TelComp alerta para a complexidade estrutural do enterramento de redes e defende planejamento urbano de longo prazo

A discussão sobre a responsabilidade pelo enterramento de fios na cidade de São Paulo voltou ao centro do debate público, marcada por divergências entre a Prefeitura, a Enel e as empresas de telecomunicações. Nesse cenário, a TelComp tem se posicionado como uma voz técnica fundamental para esclarecer os desafios reais por trás desse processo. Reportagem veiculada no Estadão do dia 26 de novembro traz os atuais desdobramentos com entrevista de Luiz Henrique Barbosa, presidente executivo da TelComp.

Luiz Henrique, destacou que o problema da fiação aérea não é circunstancial, mas estrutural. Segundo ele, a situação atual é “um sintoma do mau planejamento urbano” da capital paulista, uma cidade cujo crescimento desordenado produziu um subsolo congestionado e mal mapeado, onde coexistem redes de água, esgoto, gás, energia, telecomunicações e drenagem.

“A cidade cresce de maneira desordenada. O subterrâneo é todo mal mapeado. Vai demorar dezenas de anos e bilhões de reais para fazer o enterramento em toda a cidade. Não existe milagre”, completa. 

Na reportagem do Estadão, ele detalha ainda porque o processo de enterramento é caro, lento e altamente complexo, contrariando a percepção simplista de que a retirada de cabos poderia ocorrer no mesmo ritmo do enterramento das redes elétricas.

Entre os pontos citados por ele estão: o alto custo, estimado em cerca de R$ 4 mil por metro enterrado; a necessidade de obras majoritariamente noturnas, impossibilitadas pela lei do Psiu; a falta de mão de obra qualificada; os riscos de incidentes com redes elétricas e de gás; a presença, em algumas vias, de até 26 operadoras utilizando a mesma infraestrutura, o que amplia a complexidade de coordenação; além da existência de cabos clandestinos e redes instaladas por grupos criminosos, dificultando a regularização e remoção. 

Para a TelComp, é essencial que o debate público considere esses fatores para evitar conclusões equivocadas ou cobranças unilaterais. A entidade reforça que o enterramento depende de uma coordenação integrada entre operadoras, Prefeitura e concessionária de energia — e não apenas das empresas de telecomunicações, como muitas vezes é alegado.

O executivo também reconhece que há avanço em alguns trechos do programa municipal, ressaltando que a meta atual — 88 km de redes enterradas até 2026 — é factível justamente porque os projetos já estão em execução, ao contrário de ciclos anteriores. “Não é algo que vai começar do zero”, explicou.

Ao mesmo tempo, a entidade destaca que a discussão sobre enterramento deve ser tratada com realismo: transformar toda a infraestrutura aérea da cidade — que soma cerca de 20 mil km de rede — é algo inviável do ponto de vista financeiro e operacional no curto e médio prazos. Soluções estratégicas devem priorizar regiões críticas, como áreas arborizadas, zonas de serviços essenciais e trechos onde a fiação aérea representa maior risco.

Nesse sentido, Luiz Henrique reforça que São Paulo precisa de um planejamento urbano mais consistente, políticas públicas coordenadas e um ambiente regulatório claro — único caminho para reduzir apagões, aumentar a segurança e mitigar os efeitos das mudanças climáticas sobre a distribuição de energia e a conectividade.

A TelComp segue participando tecnicamente dessa agenda, defendendo que o avanço da infraestrutura subterrânea no Brasil só será possível com coordenação intersetorial, racionalidade econômica e responsabilidade compartilhada.

Confira a reportagem completa no link: https://www.estadao.com.br/sao-paulo/sob-briga-de-nunes-com-enel-sp-esta-longe-da-meta-de-enterrar-fios-de-postes/